-Diga aí, Seu Zé Pimenta,
Como é que se afugenta,
Essa dor grudada em mim,
Traduzida ao pé da letra,
Sem trapaça, nem mutreta,
É saudade a não ter fim.

Meu céu, antes tão sereno,
Anuviou, ficou pequeno,
Um temporal desabou.
Entre nuvens de lembranças,
E ventos de insegurança,
Já nem sei mais, quem eu sou.

Vou lhe dizer a verdade,
Não sei, se isto é saudade,
Ou amor em ebulição,
Porém, sei que não mereço,
Eu pagar, tão alto, preço
Por viver tal emoção.

-Menina, diga-me agora,
Porque seu amor foi embora,
Deixando-lhe, desse jeito?

-Com certeza, não sabia,
A tamanha nostalgia,
Que invadiria o meu peito.

-Se essa dor é saudade,
Trazendo tempestade,
Ao seu nobre coração,
Só há um remédio certo,
Ter o causador por perto,
A tocar-lhe com a mão.

Em menos de um segundo,
Esse milagre profundo,
Restaura tudo de vez,
E, aquela dor infinita,
Não mais reclama, nem grita,
Debanda, vai pro xadrez

Clara Strapazzon